Eis Livre , mas poderias ficar.
Sabe, eu não tenho que te bater na cabeça, criticar ou algum dia, jamais julgar as tuas escolhas. Não me serve esse papel. Eu já te disse - não tantas vezes quanto deveria - que te amo. E isso, me faz gostar de ti livremente, sem a alçada de egoísmos. Poderia pedir que ficasses comigo, tive milhares de oportunidades,. Inúmeros silêncios que poderia ter preenchido. Sabe-lo bem. Nunca fiz. Tentei te ajudar nesta tua árdua decisão sem cair no lapso do meu belprazer. Seria desonesto. É óbvio que me agradaria partilhar este teu momento de crescimento.Te mostrar os cantos daquela que já é minha casa. Ser madrinha e reconquistar aquilo que em tempos tive contigo. Porque eu à semelhança de um amigo que se corrige a ele próprio primeiro para depois poder mudar o mundo. Corrigi a mim primeiro. Reconquistei-me e só agora parto à reconquista de quem perdi. E eu sei que de um modo ou outro te perdi, pelo menos um grande pedaço de nós. Perdi-nos um pouco. As vezes me doe os abraços que não te dou. Eu me prendi e não sei bem como desenlaçar-me. E ainda nesta história das tuas indecisões sei que muitas vezes fui fria. Nunca pretendi prender-te as asas. Se fosses passarinho do meu céu teria muito orgulho em te ver voar, onde o céu é mais azul. Mas que voasses por vontade própria. Repito: não tenho o direito sequer de algum dia te recriminar. Posso aconselhar-te se me pedires. Posso projetar-te num afazer. Mas nunca decidir por ti. Não me serve esse papel de número abaixo. Portanto, não me digas nunca que te vou moer as escolhas. Posso ficar uma fatia de pão taciturna, lamentar o destino não nos cruzar e fazer beicinho quando perdeste um olho quando eu também deixei de ver umas coisas que já havia ousado pensar gravar na calçada. Mas nunca mais que isto.
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